Como criar seu guia

Montar um ebook – no sentido de conteúdo disponibilizado em formato digital – é uma ótima forma de monetização do trabalho, mesmo que até hoje nunca tenha recebido nada pelo seu trabalho. Para isso há diversas soluções tecnológicas para criar seu guia, bem como diferentes canais de distribuição e cobrança pelo conteúdo.

Este post é longo mas é interessante para quem planeja criar seu guia. Traz uma rápida explicação dos termos (PDF, eBook, app, etc); onde vender; ou como distribuir caso o guia seja gratuito.

Soluções tecnológicas para criar seu guia

Vamos começar pela sopa de letrinhas de formatos e tecnologias.

O primeiro é o mais usado entre quem cria guias, o PDF (formato de mesmo nome). Este formato permite imagens coloridas (“uau, grande coisa” você diz, mas verá que há formatos que não permite isso), inclusão de links (ok, ok, esse é uau, grande coisa de fato), tabelas, listas e tudo que um documento word ou pages, no caso da Apple, permite. Não permite vídeos, mas isso pode ser resolvido com um link para o vídeo no Youtube ou Vimeo.

Não é a tarefa mais difícil criar um PDF, hoje em dia qualquer programa como Microsoft Word, Pages da Apple, OpenOffice (ou ainda BrOffice ou LibreOffice) e também o Google Drive permitem exportar documentos como PDF.

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Exemplo de PDF (Monte Roraima/Territórios)

O seguinte é genericamente conhecido como ebook – ou livro digital – e é possível ler através de diversos equipamentos, a maioria sendo ereaders ou leitores digitais (equipamentos que simulam livros, porém com a vantagem de poder armazenar diversos livros juntos no mesmo equipamento). Os formatos são diversos, depende da empresa que fabrica seus leitores, os mais conhecidos sendo o Kindle da Amazon – que usa principalmente o formato AZW3 e MOBI -, Kobo Reader da Kobo e o Nook da Barnes & Noble – ambos usando principalmente o formato EPUB. Ainda há aplicativos – o mais famoso sendo o Amazon Kindle – que permitem que se leia tais arquivos em smartphones, tablets e computadores. O formato de ebook é o esteticamente mais “pobre”, devido a grande maioria dos leitores serem em preto e branco, ele não permite imagens coloridas, assim como vídeos. Somente formatação básica.

O programa da Apple, o Pages, permite que exporte diretamente para EPUB seus documentos, mas caso não possua tal programa, o Calibre (gratuito) permite converter e a partir das versões mais recentes, editar os documentos. Este programa converte para qualquer um dos formatos de ebooks que citamos acima.

Exclusivo para usuários da Apple, ainda há a possibilidade de criar iBooks, através do programa iBooks Author e disponibiliza-lo na iBookstore. Permite-se bastante interatividade, parecido com um aplicativo, mas a restrição fica para a plataforma para onde pode disponibilizar o produto final, somente iPod Touch, iPhone e iPad.

Por último, um dos mais complicados, criar um aplicativo. Há diversas formas para se criar um aplicativo, mas a única que cobriremos é através do programa Adobe InDesign e através do Adobe Digital Publishing Suite cria aplicativos. É necessário ter algum conhecimento de diagramação e alguma noção de tecnologia para publicar, mas compreendendo inglês é possível encontrar muito material sobre o assunto na internet (há também conteúdo em português, mas nem se compara). O interessante desse formato é a possibilidade de inserir vídeos, mapas interativos, galeria de imagens e muito mais, tornando o produto final realmente um destaque entre tantos outros.

Como vender

Essa parte é muitas vezes complicada, há inúmeras plataformas para se vender o que você criou e às vezes é necessário entender algumas outras coisas antes de sair por aí vendendo em todas as plataformas. Há empresas que não estão abertas para a livre publicação de conteúdo por pequenos produtores/editoras (como no caso do Google Play Books); outras que obrigam ter cadastro no IRS (agência responsável pelo recolhimento de impostos nos EUA), como a Apple, caso decida fazer uma conta de quem quer vender seu conteúdo; e ainda há quem só paga em US$ ou necessita que o vendedor tenha conta no PayPal, por exemplo.

A lista de restrições é grande, então compilamos alguns dos prós e contras dos principais canais de distribuição do seu conteúdo.

Apple

A principal chatice da Apple é que ela não permite um desenvolvedor de aplicativo distribuir livros usando a mesma conta, então é necessário ter duas contas da Apple (iTunes) conectados cada uma – através do iTunes Connect – a uma conta de distribuição de livro e aplicativo. Além disso, caso vá vender seu conteúdo na AppStore (aplicativos) ou iBookstore (livros) ainda é necessário possuir uma conta bancária – única forma de recebimento -, um número de registro da US tax (IRS). Por último, em cada venda, 30% do valor é da Apple, mas isso é padrão de mercado.

Já a grande vantagem é a facilidade para o usuário final encontrar e comprar seu guia em smartphones e tablets. Então todas as dores de cabeça vão embora quando se pensa que o leitor/cliente vai ter a vida facilitada.

Android

O Android, do Google, possui sistemas semelhantes de distribuição da Apple. Como por exemplo, 30% do valor do produto vai para a empresa. Mas o principal ponto contra é sem dúvida a não liberação – pelo menos por enquanto – do Google Play Books no Brasil por completo. Segundo a empresa, foi liberado apenas para grandes editoras e não tem data para o lançamento pleno do sistema. Mas quando for liberado, com a mesma conta será possível publicar aplicativo (no Google Play) e arquivos PDF e ePUB (no Google Play Books). Ponto positivo se comparado com a Apple.

Amazon

Outra opção conhecida é a Amazon, onde é possível publicar os eBooks e as pessoas podem facilmente comprar através da loja Amazon.com e o leitor recebe imediatamente em seu Kindle. Há duas formas de pagamento pelo serviço da empresa, pagando 30% + uma taxa por download – de acordo com o tamanho do arquivo – ou pagando 65% sem cobranças adicionais. Apesar de muito diferente dos valores praticados pelo mercado de aplicativos, esse modelo ainda assim vale a pena devido ao grande alcance mundial da plataforma. Se for ver também, um autor de um livro impresso recebe, em geral, 10% do valor de capa de cada livro vendido.

Outras formas

Também é possível publicar em concorrentes da Amazon, como a Kobo. O pagamento dela é feito via transferência internacional.

Por último é possível distribuir o conteúdo através de sistemas de distribuição de conteúdos digitais. As principais sendo a e-junkie, Distribly e a Hotmart. Cada um possui uma prática de cobrança diferente.

Por exemplo, o e-junkie cobra uma mensalidade – independente das vendas – já o Distribly e o Hotmart cobra por transação/venda. Abaixo a listagem do preço cobrado de cada.

Distribly: Comissão a empresa varia entre: até 100 vendas, paga-se 10% (não existe R$); acima de 2.000 vendas – 2%. Isso só vale após 6 meses de se cadastrar.

Hotmart: abaixo de R$10,00 paga-se 20% de comissão. Acima desse valor 9,9% + R$1,00. Vantagem aqui é que a cobrança é em reais.

E-junkie: até 10 produtos, com no máximo 50mb de espaço, paga-se US$5,00/mês. A partir do plano de 60 produtos, tem 500mb, permita-se que utilize seu próprio servidor (caso tenha produtos com tamanho grande) e se paga US$18,00. O plano mais alto é 7.999 produtos, igual tamanho de arquivo e liberado para utilizar o próprio servidor, pagando US$265,00.

O importante aqui é calcular qual é o potencial de venda do seu guia. Se você tem um livro custando US$20 e você vende 5 por mês, você vai ficar pagando (por 20 meses) US$10 por mês a Distribly, totalizando US$200 ao final desse período. Enquanto, pela e-junkie, você teria pago US$100. Deve-se analisar isso com cuidado.

Guias gratuitos

A vida é facilitada para quem vai deixar seu guia gratuito, seja porque o financiou de outra maneira ou simplesmente por que tem um coração bom S2.

Há diversas possibilidades neste caso e o ponto principal que se deve prestar atenção é, o servidor onde fica seu site é confiável e aguentará entregar 50mb de um arquivo para cada leitor? Lembre-se que por ser gratuito, em teoria, terá mais apelo e mais downloads. Imagina 100 downloads por mês, serão mais ou menos 5Gb por mês. Seu plano na empresa de hospedagem cobre isso?

Cobre: Então você pode armazenar o guia no seu próprio site.

Não cobre ou não sabe: é possível utilizar serviços como o ISSUU. É gratuito e a plataforma onde o leitor lê o PDF é das mais bonitinhas!

ISSUU - Guia Milano
Visual da plataforma ISSUU com o Guia Milano do blog Finestrino

Obs: uma idéia bacana para quem vai disponibilizar um guia gratuitamente para seu leitor. Já que você teve tanto trabalho para pensar, diagramar, escrever tudo do seu guia, por que não dar o guia em troca do e-mail da pessoa? É uma ótima maneira de criar um vínculo com seu leitor. Para quem usa WordPress, o melhor plugin que encontrei para gerenciar isso é o DOIFD – Download Opt-In For Download.

Ele é relativamente simples para criar e você publica no plugin seu guia e ele gerencia se o e-mail é válido, quem receberá, quantas vezes o e-mail poderá fazer o download do guia e alguns outros detalhes. Segue uma explicação de como fazer tudo funcionar (partindo do ponto de que você já instalou o plug-in):

1) Crie uma página que será a página “destino” (landing page) quando o leitor clicar no link. Dê um nome como “Download do Guia XPTO”;
2) Insere [lab_landing_page] no corpo da página (no modo texto do editor e não visual); e publica o página;
3) No submenu do plugin DOIFD, clica em Downloads; Crie um novo
4) Vai aparecer as informações do download, nome do download, selecionar a página destino (landing page – aquela criada no passos 1 e 2), inserir uma mensagem de sucesso e aí é só escolher o guia no seu computador e clicar em upload your file.
5) Uma vez que tiver feito o upload do arquivo, na página de downloads agora vai aparecer a listagem de arquivos que você já subiu. É só copiar o código que aparecer na listagem, algo como assim:

[lab_subscriber_download_form download_id=XXX]

6) E colar na posição que você quiser que apareça o formulário em sua página ou post.

Simples né? enfim, o plugin ainda tem outras firulas, como colocar o formulário como widget na sua barra lateral ou (caso pague) ele mantém sua conta do MailChimp ou Constant Contact atualizada com os e-mails que são inseridos.

Enfim, a explicação foi longa mas quem chegou até aqui merece meus parabéns E também merece já por na prática isso tudo. Ficou com dúvida? comenta aqui embaixo. Utiliza algo de diferente do que foi descrito aqui? Fique à vontade para comentar também com sua perspectiva do assunto. Lembrando que esse post foi escrito baseado apenas na experiência própria do autor.

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